Tutoriais do Moises

Como eu diminuo a velocidade de qualquer música sem perder o groove

Todo baterista já ouviu que precisa estudar em um tempo mais lento, mas diminuir a velocidade de uma faixa costuma deixar tudo meio travado e com o som abafado. Vou mostrar como eu estudo devagar sem perder o ritmo.

"Vai mais devagar"

Esse é o conselho que a gente escuta desde sempre: vai mais devagar. Eu mesma repito isso toda hora, comece em um andamento mais lento antes de passar para a velocidade original. É um ótimo conselho, mas, na prática, a coisa desanda no momento em que você tenta. Diminua o andamento de uma faixa comum e, de repente, parece que o som está debaixo d’água, o clique fica rígido e robótico, e a pegada da música, justamente o motivo que te fez querer aprendê-la, some.

A virada: diminuir a velocidade sem perder o groove

Então quero te mostrar o que eu uso para contornar isso, e são duas coisas trabalhando juntas. Primeiro, um controle de andamento que deixa a música mais lenta sem mexer no tom, então nada soa estranho. E, segundo, o metrônomo inteligente, que em vez de encaixar a música em um clique robótico, lê a faixa e acompanha a batida dela, inclusive nas variações de andamento, sem interromper a pegada em nenhum momento.

Diminua o andamento sem abafar a música

Com a música no App, começamos escutando tudo: uma faixa bem funkeada, a 107 BPM. Usei o controle de andamento para baixar para 86 e, em vez de soar estranha ou abafada, a levada estava ainda mais forte.

Foi isso que mais me surpreendeu na primeira vez. A maioria das ferramentas deixa a música sem vida assim que você diminui a velocidade, mas, com o tom travado, a faixa manteve a pegada, só que mais lenta. E o metrônomo inteligente também não prendeu nada em um clique rígido: ele leu a música e seguiu o ritmo e o tempo dela, porque toda música tem o seu próprio groove.

Silencie a bateria e toque de verdade

Com o andamento definido, silenciei a bateria por completo, voltei o marcador para o começo da música e toquei desde o início a 86 BPM. Nessa velocidade deu para entender de verdade a síncope e o espaço entre as notas, ainda mais porque eu estava tentando encaixar com uma linha específica de sintetizador. As partes que antes pareciam corridas finalmente ganharam espaço para respirar.

Aumente o andamento por etapas

Quando eu já estava dominando tudo, quis sentir como ficava um pouco mais rápido, então subi para 92 BPM e continuei trabalhando a mesma frase, cada passada mais limpa que a anterior. Dali subi de novo, para uns 100 BPM, e já estava soando como a música mesmo, não como um exercício.

Um toque e você volta à velocidade original

Quando a música ficou 100% nos andamentos menores, achei que já dava para voltar ao andamento original, então abri o controle de andamento de novo e resetei. E pronto, de volta à velocidade cheia, prontos para mandar ver.

Estudar não precisa soar ruim

Estudar não precisa soar ruim para funcionar, só precisa das ferramentas certas. Da próxima vez que você pensar em insistir em um trecho na velocidade original só porque diminuir costuma estragar a pegada, faça o teste com a ferramenta que mantém o groove intacto.

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The Pocket Queen

Taylor Gordon, mais conhecida como The Pocket Queen, é baterista, artista, produtora e compositora. Nascida em Nova Orleans, ela se destaca pelo groove impecável e pela versatilidade. Ao longo da carreira, já dividiu o palco com ícones como Beyoncé, Alicia Keys, Doja Cat, Dua Lipa e Harry Styles. Como produtora, participou de “You Should Be Here”, de Kehlani, que recebeu indicação ao Grammy, e da trilha sonora de “Black Nativity: Uma Jornada Inesquecível”, com Raphael Saadiq. Taylor também levou seu talento como atriz e compositora para o cinema em “A Vida de Chuck”, de Mike Flanagan. Hoje, continua desenvolvendo seu trabalho autoral e criando novas conexões entre música, cinema e mídia.