Tutoriais do Moises

Como eu me preparo rápido quando um show surge de última hora

Um show cai na sua agenda com poucos dias de antecedência, e a parte mais difícil quase nunca é a bateria em si: é aprender o arranjo. Vou contar o sistema exato que eu uso para mapear qualquer música rápido com o Moises.

Show marcado de última hora

Já aconteceu comigo mais vezes do que você pode imaginar. Do nada tem um show chegando e só alguns dias para dar conta. E a questão é a seguinte: a parte de bateria em si nunca foi o meu maior problema, o que me pega mesmo é aprender o arranjo. Quantas vezes cada seção se repete, como é a passagem para o refrão, onde entra a ponte. Em qualquer show, você precisa entender a composição inteira: a forma, a pegada e as intenções da música.

A virada: montar um sistema em vez de correr atrás

Então eu montei um sistema exatamente para isso. Seja qual for a música que me mandarem, por menos tempo que eu tenha, faço o upload dela no Moises e abro a estrutura inteira em seções em poucos minutos. Em vez de ficar ouvindo a mesma faixa várias vezes esperando o arranjo ficar na mente, você consegue visualizar toda a estrutura da música na sua frente. Vou te mostrar a forma como eu faço.

Ouça a música inteira e depois divida em seções

Eu nunca começo escutando só a bateria. Antes de qualquer coisa, ouço a música como um todo e presto atenção na composição, para entender onde a minha parte se encaixa em tudo o que está acontecendo em volta.

A partir daí, uso a funcionalidade Seções para abrir o arranjo, e isso acontece automaticamente, e isso ainda me impressiona toda vez. Em segundos eu tenho a introdução, o refrão, o trecho instrumental e o verso mapeados. Depois isolo cada um só para ouvir de cada detalhe do que acontece ali dentro, porque ver uma seção marcada na linha do tempo e escutar o que ela faz são duas coisas bem diferentes.

Quando a partitura não está disponível

A realidade dessas situações é essa: a não ser que você toque em uma orquestra ou esteja na Broadway, raramente existe uma partitura disponível. Você precisa usar o ouvido e escutar a música de verdade, e, dependendo do mix, isso às vezes é bem complicado. É exatamente por isso que eu sou grata a esse app: agora eu tenho a faixa de bateria isolada, em vez de escondida embaixo de todo o resto do mix.

Foque na passagem e diminua a velocidade

Com a bateria isolada, eu foco em uma passagem que sei que vem: uma viradinha que o baterista toca para preparar a seção seguinte, e que ganha corpo de vez quando os bongôs entram. No andamento original de 142 BPM, tudo passa rápido demais para entender direito o que está acontecendo. Por isso, reduzo para uns 125 BPM. Gosto de ir com calma, afinal, não existe devagar demais quando a ideia é aprender algo de verdade.

Volto ao topo daquela seção, ligo o loop para conseguir repetir à vontade e ligo a contagem para entrar limpa toda vez, em vez de tropeçar no primeiro tempo.

Coloque o clique e volte à velocidade original

Aí eu trago o metrônomo inteligente para encaixar no pocket e tento mais uma vez. Quando essa parte finalmente ganha firmeza e se encaixa de verdade, eu volto o andamento para a velocidade original da música e refaço a contagem lá do início.

Tire as rodinhas

Aí vem o teste de verdade: ver se eu consigo andar de bicicleta sem as rodinhas. Tiro a bateria completamente e toco a parte sozinha, desde o início, sem nenhuma faixa isolada para me segurar caso eu me perca. É esse o momento que mostra se você aprendeu o arranjo ou só ficou confortável seguindo a gravação.

O segredo é ter um sistema

Estar preparada não é só talento, é eficiência. É ter um sistema que funciona toda vez que um show aparece em cima da hora. Não basta se importar só com a sua parte, é essencial pensar na composição inteira, com as seções, com o jeito que a música cresce e respira. Conheça a música melhor do que você conhece a sua própria parte, e o resto tende a se resolver sozinho.

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The Pocket Queen

Taylor Gordon, mais conhecida como The Pocket Queen, é baterista, artista, produtora e compositora. Nascida em Nova Orleans, ela se destaca pelo groove impecável e pela versatilidade. Ao longo da carreira, já dividiu o palco com ícones como Beyoncé, Alicia Keys, Doja Cat, Dua Lipa e Harry Styles. Como produtora, participou de “You Should Be Here”, de Kehlani, que recebeu indicação ao Grammy, e da trilha sonora de “Black Nativity: Uma Jornada Inesquecível”, com Raphael Saadiq. Taylor também levou seu talento como atriz e compositora para o cinema em “A Vida de Chuck”, de Mike Flanagan. Hoje, continua desenvolvendo seu trabalho autoral e criando novas conexões entre música, cinema e mídia.