Um estudo por

para

Ferramenta, não atalho: Como os músicos usam a IA.

Resultados de uma pesquisa da Water & Music com 1.525 músicos, realizada para a Moises.

Março de 2026

INTRODUÇÃO

Uma pesquisa completa sobre como músicos em atividade realmente usam IA

No final de 2025, a Water & Music e a Moises se uniram para ouvir 1.525 músicos sobre como eles usam ferramentas de IA e o que pensam delas. A amostra captura a realidade de quem cria em diferentes níveis de experiência e estágios de carreira, abrangendo prática, produção e atuação profissional.

No mundo da música, a IA foi alvo de diversos mitos. Há quem diga que é para amadores e que profissionais a rejeitam, ou que ela tem destruído carreiras. A pesquisa foi desenhada para confrontar essas suposições com o comportamento real dos músicos.

Nota sobre a metodologia: cerca de 80% dos respondentes vieram da base de usuários da Moises; os demais, dos canais da Water & Music. Dois terços (67%) confirmaram já ter usado IA para atividades relacionadas à música. Perguntas detalhadas sobre ferramentas, usos e resultados foram feitas apenas a quem declarou ter usado IA.

Três descobertas desafiam as narrativas predominantes:

1

Os profissionais estão na linha de frente.

78% dos músicos profissionais usam IA, contra 60% dos hobistas. Profissionais também têm o dobro de probabilidade de pagar US$ 50 ou mais por mês em ferramentas de IA.

2

O principal uso da IA entre músicos está no trabalho de bastidor.

A separação de stems lidera com 71% de adoção na amostra. É quase o triplo da taxa de geração de músicas completas (24%).

3

Até os entusiastas têm ressalvas.

58% dos usuários de IA se preocupam com a autenticidade, enquanto 55% citam questões de direitos autorais e licenciamento. As maiores preocupações não são sobre funcionalidades ou usabilidade, mas sobre ética e propriedade.

Uso de IA nos últimos 12 meses

Do total de respondentes (n = 1.525).

01 / 06

Os profissionais estão na linha de frente

Quem mais depende da música financeiramente é quem mais investe em IA.

Embora a narrativa dominante fale de uma possível substituição dos músicos pela IA, os profissionais que vivem de música adotam essas ferramentas em taxas bem mais altas do que hobbistas (músicos amadores): 78% contra 60%. É o principal achado do relatório: a adoção de IA é liderada por quem teria mais a perder.

Gastos com ferramentas musicais de IA

Do total de músicos profissionais (n = 370) e não profissionais (n = 352) que usam IA.

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A diferença no investimento é real

Músicos profissionais não apenas usam mais IA: também pagam mais por ela.

Profissionais têm duas vezes mais chances de gastar mais de US$ 50 por mês com ferramentas de IA (21% contra 11%). Hobbistas se concentram em faixas de preço mais baixas: 36% gastam de US$ 1 a 19 por mês, e 25% usam apenas ferramentas gratuitas. Mais do que experimentação casual, profissionais estão integrando a IA aos seus fluxos de trabalho remunerados e investindo nela como investem em equipamentos.

Principais resultados com IA

Entre participantes que declararam o uso de IA (n = 1.021).

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Evolução acima de atalhos

Aprender mais músicas é o ganho nº 1 relatado por músicos no uso de IA.

Na pesquisa, aprender mais músicas (40%), experimentar novos gêneros (33%) e melhorar a qualidade das produções (30%) apareceram à frente de resultados econômicos, como aumento de renda ou redução de custos de estúdio. O padrão é claro: músicos não estão usando IA para buscar eficiência pela eficiência. Estão usando para evoluir como artistas.

Principais tarefas com IA

Entre participantes que declararam o uso de IA (n = 1.021).

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Processo acima do produto

Os principais usos se concentram em otimizar o fluxo de trabalho, não em gerar faixas completas do zero.

A separação de stems lidera com 71%, seguida por prática e desenvolvimento de habilidades (41%), criação de acompanhamentos (40%) e mixagem e masterização (32%). A geração de músicas completas aparece em 6º lugar, com 24%. O recado é claro: músicos preferem ferramentas que apoiam o processo criativo, não ferramentas que se propõem a substituí-lo.

Impacto percebido da IA na renda de músicos

Entre participantes que monetizam sua música (n = 983).

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Mais ganhos do que perdas

Entre aqueles que vivem de música, o impacto econômico positivo da IA supera o negativo na proporção de 6 para 1.

26% dos respondentes que monetizam sua música dizem que a IA aumentou sua renda. Menos de 4% relatam queda, e 56% não perceberam mudança. Embora a narrativa econômica em torno da IA na música tenha sido predominantemente negativa, os dados contam outra história. Para a grande maioria, o cenário financeiro melhorou ou se manteve estável.

Principais preocupações de quem usa IA

Entre participantes que declararam o uso de IA (n = 1.021).

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Preocupações coexistem com a adesão

Os músicos que mais usam IA também são os que mais refletem sobre seus riscos.

58% dos usuários de IA se preocupam com autenticidade, enquanto 55% citam questões de direitos autorais e licenciamento. Ainda assim, 92% recomendariam ferramentas de IA para outros músicos. Adoção e ambivalência não são opostos, e sim coexistem. Para inspirar confiança, as empresas de IA precisam levar as questões éticas tão a sério quanto as técnicas.

Conclusões

Para artistas

1

Comece pelo que trava seu processo

Os usos de IA com maior valor agregado envolvem tarefas que consomem horas do seu dia, não as que definem o seu som.

2

Use IA para expandir suas habilidades

A pergunta que vale fazer sobre qualquer ferramenta é: o que ela pode me ensinar?

3

Experimente, mas com senso crítico

Ao avaliar ferramentas, questione: que dados treinaram esse modelo? O que crio com ele é propriedade minha? Isso fortalece ou uniformiza minha identidade sonora?

4

Acompanhe o seu cenário financeiro

Até agora, o cenário econômico é estável. Mas vale monitorar à medida que a adesão à IA cresce.

Para empresas de IA

1

Pense no fluxo de trabalho

As ferramentas que ganham adesão resolvem problemas específicos dentro de processos criativos já existentes.

2

Observe o que os profissionais fazem

Quando músicos de alto nível aderem e pagam por uma ferramenta, é sinal de que ela passou no teste de qualidade. Se eles a abandonam, vale investigar por quê.

3

Construa confiança no produto

Práticas transparentes sobre dados de treinamento, termos de licenciamento claros e respeito à propriedade criativa são fundamentais para a confiança de longo prazo em uma ferramenta.

4

Segmente ou fique para trás

Profissionais pagam mais por confiabilidade e abandonam rápido se os resultados decepcionam. Hobbistas respondem a propostas que destacam experimentação em vez de eficiência.

Relatório completo

Confira o panorama completo.

Explore todos os insights, dados e conclusões. Serve para músicos e desenvolvedores de ferramentas de IA. Pesquisa da Water & Music para a Moises.

* O relatório completo está disponível apenas em inglês.